Will Smith sobre ‘Bright’: ‘Foi interessante interpretar um policial e estar do outro lado’

Nenhum assunto consegue ser sério com Will Smith. O ator, que está em São Paulo para divulgar o filme Bright, que estreia dia 22 de dezembro no catálogo da Netflix, recebeu a imprensa nesta segunda, 11, e mostrou que não importa se o assunto é sobre um mundo fictício repleto de orcs ou sobre o preconceito da polícia contra negros norte-americanos, seu humor está presente em qualquer tom. É daquelas pessoas que soltam uma risada após uma fala, tornando tudo uma enorme brincadeira.

Em Bright, Smith vive um policial que divide tarefas diárias com um orc (Edgerton), uma raça marginalizada e vista com preconceito pelos humanos. Juntos, eles precisam lidar com fadas, elfos e mais orcs que habitam a cidade de Los Angeles. Smith define o filme como uma mistura de Dia de Treinamento com O Senhor dos Anéis. “É como se trouxessem o mundo de ‘O Senhor dos Anéis’ para os dias de hoje e como a sociedade lidaria com esse universo de orcs e elfos“, diz ele.

Wiil Smith

(Foto: Itaici Brunetti) Wiil Smith na coletiva de ‘Bright’

Nem quando o assunto vai para um tom mais sério e faz um paralelo de quem seriam os orcs e quem seriam os elfos nos Estados Unidos atual, Smith não perde o humor e sai pela tangente: “Bem, essa é uma pergunta realmente perigosa. É daquelas que prefiro colocar no bolso e ir para casa”, diz após uma risada.

Porém, o ator responde como foi estar na pele de um policial: “Sabe, eu como um norte-americano com descendência africana, foi muito interessante interpretar um policial, um racista. Eu precisei ir para o outro lado e pensar do mesmo jeito que as pessoas que têm preconceito pensam“. Ele continua: “Quando eu era jovem eu sabia como era ter que conviver com policiais na rua. Agora, interpretando um policial eu consigo ver o que se passa na cabeça de um oficial da lei que precisa proteger as pessoas e em muitas vezes são as mesmas pessoas que os odeiam“.

Smith dá um exemplo: “A primeira vez que realmente senti como era estar do outro lado foi quando eu estava andando no carro de um policial de verdade, da LAPD (Departamento de Polícia de Los Angeles) e avistamos alguns jovens negros na rua. O policial encostou a viatura e disse: ‘Olá garotos, como vocês estão?’. Então, um deles respondeu: ‘Estamos bem, mas é bom você ser legal com a gente se não vamos matá-lo’, conta, e finaliza a questão: “Essa é uma relação difícil. Então, foi uma ótima experiência e um grande aprendizado eu poder estar desse outro lado“.

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(Foto: Itaici Brunetti) Will Smith com o diretor David Ayer e o ator Joel Edgerton

Edgerton, que interpreta o orc, revela que precisava ficar de três a quatro horas diárias para fazer a maquiagem, enquanto a de Smith demorava uns sete minutos. “Eu achava que era minha responsabilidade ficar entretendo o Joel enquanto faziam a maquiagem nele. Eu tentava animá-lo, sabe? E lá pelo 57º dia de filmagem, eu entrei na sala e ele me disse em tom bravo: ‘Chega dassa atitude positiva!’“, diz Smith seguido de outra gargalhada.

Quando é questionado sobre uma possível continuação de Bright, Smith apela: “Bem, a gente meio que precisa dos fãs para ter outro filme”. O diretor Ayer completa: “Espero que as pessoas gostem do filme e que ele dê algo para conversarem sobre questões sociais. Eu espero que as pessoas o façam de forma suficiente para que a Netflix faça uma sequência“.

Antes de deixar o local, Smith agradece a todos e faz uma dancinha com a música que começa a tocar de fundo. Assim foi estar um tempo com ‘um maluco no nosso pedaço’.

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